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terça-feira, 3 de novembro de 2009

A rua é estrangulada pelo trânsito

Geralmente quem hoje é motorista de ônibus em Florianópolis e região, um dia foi cobrador. Houve um tempo que o motorista era chamado de “chofer” e o cobrador de “trocador”. São eles os responsáveis por aturar o descrédito, o desânimo, o mau-humor, e até mesmo a acomodação de quem transportam diuturnamente: o usuário de ônibus. Entrevistei os companheiros de profissão, Samuel e Rodrigo, do ônibus 1187, linha 328 CEASA Via Santos Saraiva, da Empresa de Transporte Coletivo Estrela, durante sua hora de descanso, no Pátio do Aterro da Baía Sul, próximo ao antigo Forte de Santa Bárbara, hoje a sede administrativa da Fundação Franklin Cascaes.

O motorista Samuel Gonçalves Franco, 35 anos de idade, é casado, tem filhos, e é natural de Barreiros, São José/SC. Há nove anos é motorista, e soma outros sete anos de cobrador. Rodrigo Chaves, 27 anos de idade, paulista de Santos, está há um ano vinte dias na função de cobrador.

O perigo de quem está nas ruas dirigindo
Poucos sabem dos perigos que correm esses profissionais. A segurança é um tema sempre presente, seja pela questão dos assaltos freqüentes, seja, pelo aborrecimento provocado pelo trânsito dos grandes centros urbanos. Samuel conta que já foi assaltado mais de oito vezes, mas que nunca cometeu ou se envolveu em acidentes no trânsito. Já Rodrigo, nunca foi abordado numa situação de assalto, mas entende que o trânsito está cada vez mais lento.

Samuel menciona que o estresse no trânsito vem do fato de motoristas e cobradores estar atentos a tudo. “Falta bom senso. Temos problemas, principalmente, nas sinaleiras. Passa três carros e fecha, o ônibus é mais lento, e tem mais probabilidade de ficar preso no trânsito”, afirma. Questiono Samuel sobre uma situação de risco que ele tenha visto ou se envolvido. “O carro parou na sinaleira do Kobrasol, um motoqueiro bateu, e o motorista que veio atrás prensou o motoqueiro”, conta. Nessa questão dos motoqueiros Samuel e Rodrigo divergem. Samuel diz que a maior parte dos acidentes são causados por motoqueiros, mas ambos aceitam que há diferenças entre motoqueiro e motociclista.

Há solução para o excesso de automóveis?
Sobre possíveis soluções ao aumento de veículos nas ruas, Samuel diz que seria preciso aumentar o preço dos combustíveis e dos estacionamentos. “O povo tem que sentir no bolso para deixar o carro em casa. Apesar de o transporte público ser rápido e seguro, as pessoas são muito comodistas. O pessoa gosta de acordar tarde, e pegar seu carro”, diz.

O ônibus, a empresa…
O ônibus 1187 tem capacidade para 45 passageiros sentados e 10 em pé. Está sempre lotado, e tem uma média de 200 passageiros por dia só no horário em que Samuel e Rodrigo transitam (07h00min às 16h00min). São 6 viagens ida e volta, o que significam, para empresa, 12 viagens. Samuel alega que a Estrela Transportes Coletivos é boa empresa, e que, o tratamento para com o funcionário é bom. Nos anos de trabalho não possui reclamações.

Extinção da Categoria de Cobrador
Questiono-os sobre a polêmica da extinção da categoria de cobrador, e Rodrigo me mostra um exemplar do “O rodão”, um informativo do sintraturb – Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis, cuja manchete principal é “Patrões vão à Câmara pedir Demissão de 1.100 cobradores”. “O sindicato está entregando esse jornal aqui pra gente. É triste saber que podemos ficar sem emprego de um dia para o outro. Tem muito pai de família aqui. Eu mesmo tenho uma criança pequena pra criar”, desabafa Rodrigo. Samuel diz que a categoria é unida, e que quando entrou na empresa os cobradores em bem novos e que agora são chefes de família.

Redução da Jornada de trabalho

Acerca da redução da jornada de trabalho, projeto que tramita no Congresso Nacional, eles entendem que: “Pra nós não muda muita coisa, a empresa já faz uma escala menor que oito horas pra gente. Trabalhamos diariamente 6 horas e 40 minutos”, afirma Samuel. Já Rodrigo diz que a redução da jornada de trabalho poderá facilitar a vida de quem quer arranjar mais de um emprego para ajudar na renda familiar.

Das expectativas…
Samuel pretende seguir como motorista porque gosta do que faz, e adquiriu experiência com o tempo. Acrescenta apenas que as empresas poderiam ter um acompanhamento médico e também psicológico para que s motoristas aperfeiçoassem o contato com o público. Rodrigo diz que: “Eu gosto do que eu faço. Deixei de pegar outra vaga em outro emprego para estar aqui. Gosto de trabalhar com o público. Quero ainda pegar de motorista”, diz com sorriso franco.

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