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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A rua é do filho do Castro

O artista plástico catarinense Ivo Silva se insere no movimento Realismo Fantástico também chamado de Realismo Mágico e Realismo Maravilhoso, que abrange como todo movimento artístico as artes: literárias, cênicas, e plásticas. O filho do Castro, nome que a comunidade batizara o pai por saber de tudo e um pouco, saiu de Ratones e foi morar na Trindade ainda moço. Aos 12 anos de idade começa a pintar, e hoje suas telas são conhecidas na Alemanha, Itália, Bulgária, África, Inglaterra e Estados Unidos da América. Aos 57 anos, nascido em 27/09/1952, confessa que apesar de ter sido bancário e proprietário de uma empresa de segurança, é a arte que lhe satisfaz. Foi no calçadão da Felipe Schmidt, em Florianópolis que a equipe do Mosaicos de Rua conversou com esse simpaticíssimo artista.

Silva comenta que quando criança ou “tiririca”, como ele menciona, ia ao sítio do avô, que os recebia de charrete. O filho do Castro era tratado como um rei, talvez decorresse do contato com o pai sua veia artística. Em meio a entrevista um imprevisto. Enquanto atravessamos o calçadão da Felipe Schmidt, próximo a Igreja de São Francisco, e da Rua Deodoro, um andarilho joga um cigarro no artista. Por sorte, o cigarro estava apagado. Sem perder o bom humor e a simpatia, Silva nos presenteia com uma aula de artes em plena efervescência daquela tarde onde o vento sul cantava forte.

No que consiste a sua arte, o senhor usa um estilo?
Até meus trinta anos, o Neoclássico retratando a arquitetura colonial de Florianópolis. Pintei todas as igrejas para um colecionar, em estilo Neoclássico. Depois pintei Impressionismo que se mede em Renoir, Lautrec, Van Gogh é o precursor, mas é um trabalho mais acabado. Aqui tem um quadro impressionista (aponta para a obra das rendeiras). Durante trinta anos eu pintei o folclore.

Observamos um encarte onde está a tela Rendeiras, e seu Ivo Silva nos diz que ela é de 1990/91. Mas, é em 1999 que surge um estilo próprio que é batizado pela crítica de Realismo Fantástico. Ele nos explica que antes havia o Surrealismo de Salvador Dali, e o Fantástico de Rodrigo de Haro. O Realismo Fantástico não é nem o real, e tampouco o abstrato.

Quanto custa uma tela do senhor?
As minhas telas variam, na galeria, de 390 a 7.200 (reais), mas daqui eu faço uma promoção. Tô vendendo aqui por 190 reais, um precinho promocional para quem passa aqui.

O senhor que é um artista, é possível sobreviver da arte?
Olha, toda profissão autônoma é luta. Uma luta constante. Não é fácil pra ninguém. Pra todo mundo que autônomo, empresário, micro-empresário, porque não tem um teto salarial fixo. O funcionário público, se faz sol, chuva, ou se fica doente, pega licença, e no final do mês ele tem aquela quantia x para receber (…) O autônomo no caso, nós artistas, nós temos que trabalhar, trabalhar, e trabalhar. É muito imprevisto. Eu vivo de arte com muito prazer, muita satisfação, to satisfeito, feliz, alegre, e contente como estou, como está, e como sempre esteve. Mas, nunca foi fácil. Ivo Silva ainda menciona que é gratificante trabalhar numa profissão belissima. “Já fui bancário, já tive uma firma de segurança, mas não traz esse encanto pra alma”.

O artista escolhe as manhãs para pintar. Relata que por vezes um amigo passa por ali e acaba levando um quadro seu por 150 pila (reais). Ele vende apenas pela satisfação e encanto que alguém tem com a tela. “A rua é uma forma de trazer a arte para o público (…) O calçadão é uma vitrine florianopolitana (…) é muito maior a probabilidade de se contatar com a arte”, completa o artista. Ele que tem 84 exposições em galerias, museus, do país e fora do país, em 42 anos de carreira, a intenção de vir para as ruas é a de não se isolar do mundo, vivendo essa interação com as pessoas.

Conheça as obras do artista:
Telefone: (48) 9614 7505 Blog E-mail Orkut

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