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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A rua é lugar de protesto bem humorado

Nada é por acaso. E assim, a arte de Reginaldo Soares Coutinho, mais conhecido como Régis Soares, nos foi apresentada. Por sorte, a entrevista por e-mail é válida, de acordo com o livro “A arte de entrevistar bem”, da jornalista Thaís Oyama. Esse chargista, cartunista, e caricaturista de 49 anos de idade, vislumbrou a idéia de expor sua arte opinativa no Mosaicos de Rua. Dirão alguns que foi a caricatura de Vladimir Herzog; dirão outros que foi nossa “quexadinha” de rapaz latino-americano sem graça e sem sabor que verificou na charge da exigência do diploma uma voz que não silenciou; outro dirão ainda que foi a rua que permitiu, mesmo a distância, esse reencontro da arte e da opinião. Fiquemos com as respostas do artista.



1) Régis Soares por ele mesmo. Quem é Régis Soares? Reginaldo Soares Coutinho, 49 anos, mais conhecido por Régis Soares, paraibano de João Pessoa, casado, tenho dois filhos, sou chargista, cartunista e caricaturista. Comecei publicando minhas charges no jornal O Momento durante nove anos, a partir de 1983, publiquei 4 livros: Charges e Caricaturas, Pintando o Sete e Desenhando os Outros, Charges na Rua e 15 anos de Charge na Rua. Participei de várias exposições individuais de salões de humor na Paraíba e em outros estados, e publiquei trabalhos em veículos da imprensa como O Pasquim, A Tribuna, O Norte, Correio da Paraíba e em Jornais Sindicais. Atualmente, continuo dando minha contribuição semanal na forma de painel exposto na rua em frente ao meu trabalho, que se localiza na Rua Etelvina Macedo de mendonça, no bairro da Torre, em João Pessoa. Esse Trabalho já dura 25 anos de exposição de charges na rua.

2) Como surgiu seu interesse por artes plásticas?

Quando você nasce com o dom, já vem com o interesse junto.


3) Seu trabalho tem um estilo ou uma escola artística ou é livre?

Tem um estilo e é livre, porque a charge tem que ter liberdade para poder criar.

4) Por meio de algumas caricaturas como a de Vladimir Herzog, e charges como o manifesto pelo diploma do curso de Jornalismo nota-se uma preocupação com temas sociais e políticos. Essa inspiração vem de onde?

Essa inspiração vem do meu compromisso por uma sociedade justa.

5) A charge e a caricatura entram num gênero chamado opinativo. Existe divisão entre arte e opinião ou as duas coisas se casam?

No meu caso eu sempre tento juntar as duas coisas.

6) Como surgiu a idéia de fazer charges e caricaturas nas ruas? Tudo começou com um buraco que existia na minha rua, bem em frente ao meu atelier, onde as autoridades demoraram muito para tomar uma providência. Comecei colocando um painel com uma charge como forma de reivindicar o buraco, quando tamparam o buraco e resolvi retirar a placa, as charges já tinha caído na graça da população e desde então não parei mais.

7) Qual é o impacto de uma arte de rua sobre a população? É de imediato, porque é uma coisa que todo mundo tem vontade de fazer, principalmente quando você mostrar sua indignação com alguma coisa que lhe incomoda.

8) Quantas charges e caricaturas você já fez?

Na rua já vai em 1.106 charges, agora em jornais e outros meios de comunicação já perdi a conta.

9) O que é a rua para Régis Soares? Foi a maneira mais fácil que consegui chegar perto do povo, as pessoas participam do meu trabalho, dão opiniões. Virou um trabalho popular.

(*) As fotografias/imagens foram fornecidas pelo autor.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

A rua é lugar de drogas e prostituição


Paula*, tem 17 anos de idade, é garota de programa. Ela se prostitui porque é usuária de crack e tem que sustentar o vício. Alega que perdeu a virgindade aos 12 anos na rua, mas que há 3 se prostitui diariamente. A história dessa adolescente é a mesma de milhares de crianças e adolescentes no país inteiro, havendo até livros como “Meninas da noite”, do jornalista Gilberto Dimenstein que abordam o tema com atitude firme e corajosa.

Faço contato com meu informante e ele diz que está tudo certo, e que localizou alguns pontos onde meninas começavam mais cedo a se prostituírem. Dias antes, rondamos as ruas de Florianópolis a noite e as prostitutas, hoje chamadas “profissionais do sexo”, se negaram a dar a entrevista por diversos motivos, entre os quais: horário dos programas, seus agenciadores, medo. Atualmente a disputa por pontos com os travestis as tem levado para locais mais reservados, em boates, casas de massagem, ou encontros íntimos em apartamentos bem localizados na capital barriga-verde.

Para obter a entrevista foi necessário antes mapear locais, conversar com moradores e trabalhadores das ruas. A prostituição, diz a voz das ruas, é a profissão mais antiga do mundo. Num Estado da federação onde escândalos sexuais com menores são abafados, afirmar que existem menores vendendo seu corpo nas ruas já parece algo comum. A prostituição esconde muitos outros crimes, mas em última análise, quem se prostitui busca: prazer, e sustento de alguns vícios, como o crack. A prostituição também é oriunda da pobreza, da miséria, da exploração, e da ignorância.

O áudio abaixo foi editado para preservar nomes citados, e da própria menina, que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente tem assegurada sua identidade.

Crack - combate by Acangatu
* Nome fictício para preservar a identidade.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A rua é lugar de trabalho e diversão

O que mais vemos nas ruas da cidade, são vendedores - muitos já relatados aqui, como Patrício Miguel e Karina. Porém encontramos Antônio Eduardo. Mineiro de 42 anos, escolheu este trabalho por ser seu próprio patrão. Ele faz da Felipe Schmidt sua loja e um palco para compartilhar com todos sua alegria de viver. Vendendo os bonequinhos "homem-aranha", já trabalhou em diversos lugares do Brasil, mas escolheu Florianópolis por causa de suas belezas naturais e por ser uma cidade maravilhosa.

Cada boneco custa dois reais, mas dependendo do dia, não vende muito. Sobre isso, Antonio fala: "se eu vender bastante, glória à Deus. Se eu vender mais ou menos, glória à Deus. Se eu vender menos mais ou menos, glória à Deus."

Ele se destaca na rua pelo seu peculiar jeito de abordar as pessoas, e sempre chama a atenção de todos. Sua maior dificuldade é os dias em que não está inspirado e a fonte da inspiração é Deus.

Confira no vídeo abaixo um pouco de Antônio em "ação":


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A rua é da diversidade

A homossexualidade tem deixado de ser um tabu em muitas famílias, mas os meios de comunicação, principalmente a TV, conferem um espaço de sarcasmo e vulgaridade as personagens que interpretam pessoas homossexuais. Muito se avançou na legislação, mas o papel da rua ainda tem sido de um palco onde os holofotes se dividem, entre a exibição, a prostituição, e a luta por direitos.

O jovem Raphael Alexandre Cunha, de 28 anos de idade, natural de Florianópolis, já utilizou a rua como lugar onde exibia seu corpo a procura de prazer. Muito embora, nunca tenha se prostituído, a rua para ele servia para canalizar sua rebeldia. Essa “vida mundana”, como ele mesmo admite, porém, não lhe pertence mais. Hoje Raphael é espírita, e se dedica aos estudos do corpo, da mente, e da alma, inclusive condenando a exibição nas ruas, e a prostituição como forma de auto-mutilação. Afirma que muitos vão para rua por dois motivos: busca de prazer, e o sonho do encontro do “príncipe encantado”, fatores que resultam em ilusão.

Raphael é solteiro, mas conviveu durante 10 anos com um companheiro. Enfrentou preconceitos desde que se descobriu homossexual aos 7 anos de idade, principalmente por parte do pai. Disse que a parada gay, hoje denominada “parada da diversidade” é um espaço de manifestação, e que as pessoas aceitam tranquilamente. De acordo com o próprio Raphael, “Floripa é gay”. Ele cita pontos como a Avenida Hercílio Luz, as cabeceiras das pontes, como locais onde homens casados ou curiosos vão buscar outros homens. Ele que hoje prefere freqüentar ambientes heterossexuais faz um alerta: “o mundo hetero enxergo o homossexual como um garoto de programa, e o homossexual não é um bicho de sete-cabeças”.

04112009 - Raphael by Acangatu

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A rua é minha área de trabalho

Há por parte de muitos motoristas um preconceito com o motociclista, principalmente com o motoboy. A palavra motoboy é um estrangeirismo. O boy sempre foi conhecido como o “menino ou garoto da entrega”, mas com a ajuda da moto, as entregas passaram a ser sobre duas rodas. O risco para esse profissional é iminente. Tem ele um prazo para as entregas, uma rota para fazer, clientes para atender.

Com 10 anos de experiência, na região de Florianópolis, Jonas Rodrigo Fernando, de 31 anos de idade, casado e pai, é motoboy. Há um ano está na empresa Marmita Express, mas para completar a renda da família ele trabalha no período noturno como vigilante. Em conversa com nossa equipe do Mosaicos de Rua, Jonas relatou fatos da profissão e um trauma: o acidente que o deixou um ano parado. Confira o áudio:

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A rua é um cenário para muitas ocorrências

Cassandra, na mitologia grega era a filha de Priamus, rei de Tróia. Dizem os gregos que Cassandra tinha o dom de prever o futuro, mas uma quebra de promessa feita a Apolo, foi amaldiçoada. A partir daquele momento, ela continuaria fazendo suas previsões, mas ninguém nela acreditaria. Gabriela Kassandra Luiz Colossi, é uma bombeiro feminina, de 25 anos de idade, e 5 anos de serviço no Corpo de Bombeiros - sendo 3 anos e meio como militar, e outros 1 ano e meio dedicados ao voluntariado. Ao contrário da deusa grega, Kassandra não pode prever o que encontrará nas ruas quando o ASU – Auto Socorro de Urgência é acionado durante as 24 horas que presta dedicado serviço no 1º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Catarina, no bairro do Estreito.

Estivemos, Karla Cardoso e eu, no interior da guarnição, no ASU, quando a soldado Kassandra deu a entrevista que se seguirá no áudio abaixo. Ela, Kassandra, fala das dificuldades e limites da profissão, do machismo na corporação, e difícil tarefa em dividir suas atribuições entre o Batalhão, a casa, o marido, e os filhos.



Bombeiro mulher - 10112009

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A rua é vida


A rua é o palco da vida para o manezinho da Ilha Rosemir Paulo Martins, 53 anos de idade, e há mais de 20 anos nas ruas. O palhocence Rosemir, mais conhecido como “Catarina”, veio para Costeira do Pirajubaé com 2 anos de idade, e diz ter viajado muitos lugares, tido vários empregos, e cinco mulheres. Foi no Largo da Alfândega, próximo ao Mercado Público de Florianópolis, que ouvimos suas histórias. O áudio gravado com esse morador de rua apresenta aspectos dos dias na rua. O Catarina, fala do consumo da cachaça, da vida desapegada, e da violência na capital. Pelos relatos do mesmo, percebemos que Florianópolis possui muitos moradores de rua.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A rua como terapia



Os pedaços de cipó nas suas mãos vão aos poucos deixando sua característica original para se transformarem em pequenas estrelas, globos ou anjos. Esse é o trabalho que o gaúcho de Osório, Valter Luis Borba, 46 de idade produz a mais de 10 anos.


Tudo é fruto da sua criatividade, e além de ajudar no sustento é ao mesmo tempo uma espécie de terapia. Valter veio para Florianópolis por causa de problemas de saúde, têm carência em se relacionar, fazer amizades.


A rua foi o meio utilizado para entrar em contato com outras pessoas e conseguir expressar suas emoções.

Todas as peças que produz são para decoração, o preço varia dependendo do tamanho e modelo.

No futuro deseja trocar de cidade, está pensando em conhecer outros lugares, pretende morar em Joinville. Por enquanto é possível encontrá-lo perto da farmácia Panvel da rua Felipe Schmidt.

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A rua também pára (parte 2)

Há pouco tempo, vimos um post aqui no Mosaicos sobre a paralização dos funcionarios da Zona Azul por causa da privatização.
Em uma das andanças minha com William pelas ruas - após ter levado um fora de um músico argentino, que não quis ser entrevistado - nos deparamos com esses mesmos funcionários reivindicando a manutenção de seus empregos.



No fim das contas, todo o esforço mostrado no vídeo acima valeu a pena. O sistema de privatização não foi feito e tudo voltou ao normal.

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A rua como palco: o trabalho, a moradia, a arte da vida

A rua não é apenas um espaço ladeado por residências e locais de trabalho. A rua é residência, é trabalho, e também é lazer, é arte. Por duas vezes, observei falho o Dicionário Aurélio. A primeira quando li o conceito de lixo (mesmo após as conferências mundiais do meio ambiente, e acordos internacionais onde o Brasil é signatário, o dicionário foi capaz de enunciar mudanças coerentes); a segunda tem relação direta com esta pesquisa. A equipe do Mosaicos de Rua percebeu que o conceito, que é uma função metalingüística, para o termo “rua” estava incompleto sob a perspectiva do lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda. Essa percepção se deu primeiro, quando fomos as ruas antes de buscar o conceito no dicionário, ou em alguma obra científica. A rua, portanto, nos ensinou que ela é muito mais ampla, e que, nossa abordagem deveria estar centrada nas personagens que a compõe.



Surgia aí, o Mosaicos de Rua propriamente dito. Antes disso, era o blog apenas uma idéia solta no ar. Foi preciso senti-la, pensá-la, observa-la, interpreta-la. E da boca de quem entrevistamos (re)inventamos o conceito de rua.

A primeira idéia que temos em vista é que a rua é um caminho, uma estrada, uma viela, um trecho por onde se passa. Depois migramos passamos a idéia de que essa rua é ladeada por casas onde residimos, e também pelo local de nosso trabalho; o lazer também se abeira da estrada nessa perspectiva. Há um terceiro momento, quando percebemos que a rua não é estática, mas que ela toma outra proposição. A rua é randômica, é mutável, é repleta de seres mutantes, que nela moram, trabalham, expõem sua arte, e se adaptam as condições que a rua apresenta. Mas, o que parece ululante para muita gente, passa despercebido aos de quem mesmo utilizando a rua todos os dias, não percebe esse cenário magnífico e de oportunidades. Mas, a rua é também o espaço das contradições, das arbitrariedades, das mazelas, das querelas.


Historicamente é a transição do Feudalismo para o Capitalismo que nos dá a noção da mudança o paradigma da rua, e de seu conceito não estático – muito embora existam sociedades que preservam a rua como o conceito apresentado pelo dicionário: (…)tudo que não seja casa de residência e local de trabalho(…)”. O importante notar é que na transição histórica apontada, temos o deslocamento das caravanas de todas as partes do Oriente e do Ocidente para locais que se transformariam em grandes centros comerciais, ao redor dos burgos (castelos), a feira acaba auxiliando a modificar o conceito da rua. Teremos aí, o nascimento da rua como lugar de trabalho, de exposição da arte, de estímulo ao consumo, e também de violência e miséria. Quando aceitamos o conceito do lexicógrafo estamos, automaticamente, excluindo quem vive nas ruas.


A rua é composta por diversas personagens, e estas reunidas formam um mosaico. A palavra Mosaico tem duas origens, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda: uma no grego mosaikós, que tem relação com o legislador bíblico Moisés; e na língua italiana, e significa o que segue:


1. Pavimento de ladrilhos variegados. 2. Embutido de pequenas pedras, ou de outras peças de cores, que pela sua disposição aparentam desenho. 3. Fig. Qualquer trabalho intelectual ou manual composto de várias partes distintas ou separadas. 4. Encad. Trabalho em que recortes de couro, de diferentes cores, são embutidos ou superpostos, formando compartimentos ou ornatos na pele que cobre um livro. 5. Fitopatol. Moléstia das plantas, causada por vírus, e que produz, nas folhas, áreas pálidas que contrastam com as áreas verdes e normais.


Serão sustentados os itens 1,2, e 3 do conceito acima posto por se encaixar no tema proposto.


Nossas personagens são moradores e trabalhadores de rua. Não cabe ao jornalista tecer teses, mas se basear em fontes, orais e escritas, e aplacar a curiosidade do seu público alvo. Ocorre que, para nossa equipe houve a intenção primeira de corporificar a voz das pessoas. Esse processo de corporificação significa, antes de tudo, de tomar uma difícil decisão: invadir a privacidade das pessoas. Por mais que os moradores de rua tenham afirmado que a nossa presença era de bom grado, há algo a se sustentar: colher relatos; estar onde a fonte está e fazê-la falar, se manifestar, se expor, significa uma forma de constrangimento. Quem está na rua, apesar de estar num espaço público, busca o anonimato.


Nossa sociedade, talvez, tenha adquirido o hábito de enxergar um trabalhador que exerça sua função ou atividade, como mera peça da grande engrenagem do sistema de valores e de poder o qual estamos imersos e ao mesmo tempo, subjugados. E aí nos deparamos com o primeiro problema: a jaula de aço não é o ônibus, a fábrica, a sala de aula, o escritório; a jaula de aço é o sistema em si, que estupidamente agredimos, quando muito o aceitamos descaradamente.


O relato de um engraxate é tão importante quanto o de um carteiro, pipoqueiro, artesão, morador de rua, e artista plástico. Cada fala é um universo, um livro aberto que se descortina. O dia tem suas angústias da mesma forma que a noite não consegue esconder suas agruras.


A noite de Florianópolis exibe prostitutas e travestis (profissionais do sexo); na vitrina do grande centro urbano, os batedores de carteira, de aparelhos de celular, e de dinheiro, não poupam nada e ninguém; os mendigos que gradativamente, tem sumido, desaparecido entremeados as políticas de (in)tolerância zero. Jovens que buscam os prazeres do sexo fácil, o caminho dos entorpecentes, a vida mundana como regra. O Mosaicos de Rua pode testar nossos limites; jornalista não pode ter nojo de gente, vergonha do ridículo, e arrogância, mas deve ter responsabilidade e ética.


A rua é o palco das arbitrariedades, do trabalho, da moradia, e da arte. A rua é esperança, mas também a boca do lixo. É o palco da vida.

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A rua com ladrilhos coloridos: um mosaico

“Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar”
(cantigas populares)



Ousadia talvez defina o blog Mosaicos de Rua. Havia a meta, mas quando o iniciamos não se imaginou para onde iríamos. As intempéries do tempo; sentimentos diversos; um corre-corre contra o relógio; um disse-me-disse num falar arrastado, e um erre puxado; histórias e momentos, percepções tão distintas em olhares e esquinas. Ser jornalista é arriscar? Arriscamos empregos; o conforto; a facilidade; a veracidade da informação; a própria pele. Contra a gente, o prazo. Qual ampulheta que anuncia a foice da morte, num banco de praça, em esquinas sem nomes.

Em agosto escrevi a crônica “Dias gelados em Santa Catarina”. Ela inspirou a criação do “Mosaicos de Rua”. Mas, não foi o único motivo; houve entre nós sincronia. A Karlinha queria entrevistar o homem-estátua. E onde ele estava? Nas ruas de Florianópolis. A rua foi escola, e nosso olhar sobre a rua pode reinventá-la. Juntos, novamente, em um trabalho acadêmico estávamos eu, Ariana, Karla, e Fabio.

Um dos livros que mais marcaram minha jornada foi “Les Miserables” ou “Os Miseráveis”, de Victor-Marie Hugo. Jean Valjean (Madeleine), Javert, Fantine, Marius, Cosette, o pequeno Gavroche, Enjolras, Jean Prouvaire, Combeferre, Joly, Bahorel, Bossuet, Fauchelevent, Thénardier, essas personagens nunca saíram de minha alma. Ao andar pelas ruas de Florianópolis eu os enxergo no vagabundo que respira a graça gratuita das nuvens; no capitalista altruísta que se esconde por detrás da capa de um meliante; na prostituta que troca seu corpo por um prato de comida; no casal de namorados que vivem apenas seu instante; na criança de rua que espera uma estrela no lugar da fome; na lealdade permeada de utopia, em amigos que lutam juntos mesmo tendo a morte por desfecho; na face do mal que cobra caro sua mão podre estendida. Lá está Valjean portando um candelabro furtado e sua alma pesada perseguido pela falsa noção de segurança que muitos acreditam estar contida na lei, na ordem, e num progresso medíocre de ferro e cimento.

Florianópolis, desde sua fundação bandeirante, é uma capital com vocação cosmopolita. Se o Êxodo Rural existe, e eu não duvido, ele dá às mãos a cidade. Ele a pede em casamento, mas os pais da cidade são conservadores demais e tentam sumir com o noivo. Eles não casam, mas geram filhos antes bastardos – hoje legalmente reconhecidos. Ele a traí com as políticas de (in)tolerância zero, e com as facilidades da jaula de ferro. E seus filhos, frutos das ingerências todas, no coração da cidade, têm a praça, o largo, a rua como chão fecundo e maternidade. Hoje os vemos passeando no jardim da maturidade, observando sem compreender, velhos desdentados, poetas amordaçados, gente alienada. E porque a inocência se esconde na Miséria, na Pobreza, na Indiferença, na Prostituição, na Violência.

O mais difícil é ter esperança na escuridão; saber que a rua de ladrilhos coloridos está em algum lugar de nossa infância esquecida; na lembrança. Conforta saber que existem lutadores. Uns que na arte vencem o medo; outros que no alforje do trabalho esquecem as dores dos dias; e outros ainda que vivem a ilusão de liberdade nos gradis de uma sociedade de exclusão.

Os dias de rua; as experiências nas comunidades; as belas mentiras que se tornaram verdades; a utopia em minha alma; a eterna canção dentro da noite; e os gritos do porão, dos silenciados, de um tempo de repressão; as nossas personagens, nossos mosaicos de ladrilhos coloridos; fez-me ver, julgar e agir, e lembrar do pensamento abaixo:

"Enquanto existir, fundamentada nas leis e nos costumes, uma condenação social que crie artificialmente, em plena civilização, verdadeiros infernos, ampliando com uma fatalidade humana o destino, que é divino; enquanto os três problemas deste século, a degradação do homem no proletariado, o enfraquecimento da mulher pela fome e a atrofia da criança pela escuridão da noite, não forem resolvidos; enquanto, em certas regiões, a asfixia social for possível; em outros termos, e sob um ponto de vista ainda mais abrangente, enquanto houver sobre a terra ignorância e miséria, os livros da natureza deste poderão não ser inúteis. (Hauteville-House, 1.º de janeiro de 1862 - Os Miseráveis - Victor Hugo )

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sábado, 7 de novembro de 2009

A rua é um ambiente de aprendizagem


O cinema exibiu um filme estrelado por Massimo Troisi, Philippe Noiret, e Maria Grazia Cucinotta, chamado “Il Postino” (“O Carteiro e o Poeta”) um romance que lembra o exílio do poeta Pablo Neruda, na pequena ilha de Cala di Sotto, na Sicilia e sua amizade com o carteiro Mario Ruoppolo. A poesia não apenas serve como inspiração a Mario para conquistar a amada, mas o retira dos gradis das solidão e da morte.

Governador Celso Ramos/SC tem seu carteiro poeta. O jovem Tiago Nilson da Silva, é carteiro há pouco mais de 3 anos.

Esse gancheiro de 21 anos de idade, nasceu em Tijucas/SC, mas, como ele mesmo afirma: “a maternidade apenas foi lá. É aqui onde estão minhas raízes”. Ele cursa História na Universidade do Vale do Itajaí – Univali; e ocupa a cadeira de n.40, da Academia de Letras de Governador Celso Ramos, cujo patrono é José Hipolito de Azevedo. Tiago pretende lançar em breve um livro de poesias, mas guarda segredo em relação ao título.
Acerca dos Correios, do pensamento, e os sonhos do carteiro, escute o áudio:


Entrevista com Tiago Nilson da Silva - carteiro by Acangatu

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A rua como lar de muitos

A Praça XV de Novembro, "Praça XV" ou só "XV" como é chamada por seus frequentadores e admiradores é um espaço multiétnico, multicultural, com incríveis histórias, e contrastes de todos os tipos e gêneros... É lá que está a velha Figueira, que serviu de inspiração ao Mestre Zininho, o poeta e radialista ilhéu, para Rancho de Amor a Ilha. Essa Floripa de encantos e amores...

A letra da canção "Jornais", do grupo Nenhum de Nós , menciona em um dos versos que "as pessoas que se enrolam nos jornais, não são mais notícias". O drama dos moradores de ruas não é recente, mas ele é presente em nossas caiptais. Com Floripa não é diferente...

Perambulando pelas ruas de Florianópolis, encontramos os Irmãos XV. Moradores da Praça XV. Eles contam um pouco da vida de quem mora na rua. Confira no áudio abaixo:

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

A rua tem perfume de flores


Em meio a prédios e a correria da movimentada Rua Esteves Junior, no Centro de Florianópolis, fica localizada a banca de flores da dona Enéte. Ela iniciou como empregada do seu tio, e quando este se aposentou, ela tomou a direção do comércio. São 32 anos administrando a Banca Flora Santa Catarina, e ali trabalham quatro pessoas.

Por dia passam mais de 50 clientes por ali, e as rosas são as preferidas da freguesia. As vendas se intensificam no mês de maio, onde a procura é maior para o Dia das Mães.

Mas nem tudo são flores na vida de Enéte. Ela conta que seu estabelecimento já sofreu um arrombamento e foram levadas flores, dinheiro, comida; quebraram os vidros, e o prejuízo foi grande. Graças a parceria com os taxistas do ponto ao lado ela conseguiu recuperar parte do que foi perdido, os arrombadores foram denuciados e a polícia os prendeu.

O estabelecimento da dona Enéte cumpre um papel essencial na paisagem da rua, suas flores em exposição na entrada embelezam e chamam a atenção dos apressados e estressados rumo a seus compromissos.

A Banca Flora Santa Catarina fica na Rua Esteves Junior (em frente ao Angeloni, Centro, Florianópolis). Telefone: (48) 3223 4895

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A rua e o artista dos arames

Na definição do Dicionário Michaelis, de Língua Portuguesa arame é:

1. Liga de cobre com zinco ou outros metais; 2. Fio ou vara muito delgada de ferro, aço, cobre ou qualquer outro metal ou liga de metais, de seção transversal geralmente circular, mas também quadrada, triangular ou de outro qualquer perfil; 3. gír Navalha; 4. gír Dinheiro; 5 Reg (Sul) Laço, como característica de qualidade de que se orgulha o bom laçador: Ponho meu arame nos tentos e quero ver o boi que me escape. A. farpado: a) arame ou fio de dois ou mais arames torcidos, providos, de espaço a espaço, de farpas ou pontas agudas; b) cabelos duros e enroscados.

Nas mãos de Patricio Miguel Romero é arte.

O chileno transforma um pedaço de arame em instrumentos musicais, árvores, nomes com uma perfeição e habilidade incrível. E conversar com o artista é quase impossível, tamanha a quantidade de pessoas que páram pra conferir seu trabalho.

Patricio aprendeu sozinho. "Com a ajuda de Deus", como ele prefere dizer. Perdeu as contas da quantidade de objetos que produziu ao longo dos 10 anos de trabalho. E é o dinheiro ganho nas ruas que ele se sustenta.

Viajou por toda a América do Sul, e conhece bem o Brasil. Diz que a cidade brasileira que mais gostou foi São Paulo, onde conseguiu vender bastante. Mas as mais bonitas, para ele são: Maceió, Alagoas, Belo Horizonte e Canoa Quebrada.

Sua vida de viajante começou depois que ele se separou da mulher. No começo diz que ficou com medo da solidão, mas hoje não é mais assim.

Patricio trabalha em frente a Caixa Econômica Federal, na Rua Trajano, em Florianópolis.

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A rua é estrangulada pelo trânsito

Geralmente quem hoje é motorista de ônibus em Florianópolis e região, um dia foi cobrador. Houve um tempo que o motorista era chamado de “chofer” e o cobrador de “trocador”. São eles os responsáveis por aturar o descrédito, o desânimo, o mau-humor, e até mesmo a acomodação de quem transportam diuturnamente: o usuário de ônibus. Entrevistei os companheiros de profissão, Samuel e Rodrigo, do ônibus 1187, linha 328 CEASA Via Santos Saraiva, da Empresa de Transporte Coletivo Estrela, durante sua hora de descanso, no Pátio do Aterro da Baía Sul, próximo ao antigo Forte de Santa Bárbara, hoje a sede administrativa da Fundação Franklin Cascaes.

O motorista Samuel Gonçalves Franco, 35 anos de idade, é casado, tem filhos, e é natural de Barreiros, São José/SC. Há nove anos é motorista, e soma outros sete anos de cobrador. Rodrigo Chaves, 27 anos de idade, paulista de Santos, está há um ano vinte dias na função de cobrador.

O perigo de quem está nas ruas dirigindo
Poucos sabem dos perigos que correm esses profissionais. A segurança é um tema sempre presente, seja pela questão dos assaltos freqüentes, seja, pelo aborrecimento provocado pelo trânsito dos grandes centros urbanos. Samuel conta que já foi assaltado mais de oito vezes, mas que nunca cometeu ou se envolveu em acidentes no trânsito. Já Rodrigo, nunca foi abordado numa situação de assalto, mas entende que o trânsito está cada vez mais lento.

Samuel menciona que o estresse no trânsito vem do fato de motoristas e cobradores estar atentos a tudo. “Falta bom senso. Temos problemas, principalmente, nas sinaleiras. Passa três carros e fecha, o ônibus é mais lento, e tem mais probabilidade de ficar preso no trânsito”, afirma. Questiono Samuel sobre uma situação de risco que ele tenha visto ou se envolvido. “O carro parou na sinaleira do Kobrasol, um motoqueiro bateu, e o motorista que veio atrás prensou o motoqueiro”, conta. Nessa questão dos motoqueiros Samuel e Rodrigo divergem. Samuel diz que a maior parte dos acidentes são causados por motoqueiros, mas ambos aceitam que há diferenças entre motoqueiro e motociclista.

Há solução para o excesso de automóveis?
Sobre possíveis soluções ao aumento de veículos nas ruas, Samuel diz que seria preciso aumentar o preço dos combustíveis e dos estacionamentos. “O povo tem que sentir no bolso para deixar o carro em casa. Apesar de o transporte público ser rápido e seguro, as pessoas são muito comodistas. O pessoa gosta de acordar tarde, e pegar seu carro”, diz.

O ônibus, a empresa…
O ônibus 1187 tem capacidade para 45 passageiros sentados e 10 em pé. Está sempre lotado, e tem uma média de 200 passageiros por dia só no horário em que Samuel e Rodrigo transitam (07h00min às 16h00min). São 6 viagens ida e volta, o que significam, para empresa, 12 viagens. Samuel alega que a Estrela Transportes Coletivos é boa empresa, e que, o tratamento para com o funcionário é bom. Nos anos de trabalho não possui reclamações.

Extinção da Categoria de Cobrador
Questiono-os sobre a polêmica da extinção da categoria de cobrador, e Rodrigo me mostra um exemplar do “O rodão”, um informativo do sintraturb – Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano, Rodoviário, Turismo, Fretamento e Escolar de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis, cuja manchete principal é “Patrões vão à Câmara pedir Demissão de 1.100 cobradores”. “O sindicato está entregando esse jornal aqui pra gente. É triste saber que podemos ficar sem emprego de um dia para o outro. Tem muito pai de família aqui. Eu mesmo tenho uma criança pequena pra criar”, desabafa Rodrigo. Samuel diz que a categoria é unida, e que quando entrou na empresa os cobradores em bem novos e que agora são chefes de família.

Redução da Jornada de trabalho

Acerca da redução da jornada de trabalho, projeto que tramita no Congresso Nacional, eles entendem que: “Pra nós não muda muita coisa, a empresa já faz uma escala menor que oito horas pra gente. Trabalhamos diariamente 6 horas e 40 minutos”, afirma Samuel. Já Rodrigo diz que a redução da jornada de trabalho poderá facilitar a vida de quem quer arranjar mais de um emprego para ajudar na renda familiar.

Das expectativas…
Samuel pretende seguir como motorista porque gosta do que faz, e adquiriu experiência com o tempo. Acrescenta apenas que as empresas poderiam ter um acompanhamento médico e também psicológico para que s motoristas aperfeiçoassem o contato com o público. Rodrigo diz que: “Eu gosto do que eu faço. Deixei de pegar outra vaga em outro emprego para estar aqui. Gosto de trabalhar com o público. Quero ainda pegar de motorista”, diz com sorriso franco.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A rua é do filho do Castro

O artista plástico catarinense Ivo Silva se insere no movimento Realismo Fantástico também chamado de Realismo Mágico e Realismo Maravilhoso, que abrange como todo movimento artístico as artes: literárias, cênicas, e plásticas. O filho do Castro, nome que a comunidade batizara o pai por saber de tudo e um pouco, saiu de Ratones e foi morar na Trindade ainda moço. Aos 12 anos de idade começa a pintar, e hoje suas telas são conhecidas na Alemanha, Itália, Bulgária, África, Inglaterra e Estados Unidos da América. Aos 57 anos, nascido em 27/09/1952, confessa que apesar de ter sido bancário e proprietário de uma empresa de segurança, é a arte que lhe satisfaz. Foi no calçadão da Felipe Schmidt, em Florianópolis que a equipe do Mosaicos de Rua conversou com esse simpaticíssimo artista.

Silva comenta que quando criança ou “tiririca”, como ele menciona, ia ao sítio do avô, que os recebia de charrete. O filho do Castro era tratado como um rei, talvez decorresse do contato com o pai sua veia artística. Em meio a entrevista um imprevisto. Enquanto atravessamos o calçadão da Felipe Schmidt, próximo a Igreja de São Francisco, e da Rua Deodoro, um andarilho joga um cigarro no artista. Por sorte, o cigarro estava apagado. Sem perder o bom humor e a simpatia, Silva nos presenteia com uma aula de artes em plena efervescência daquela tarde onde o vento sul cantava forte.

No que consiste a sua arte, o senhor usa um estilo?
Até meus trinta anos, o Neoclássico retratando a arquitetura colonial de Florianópolis. Pintei todas as igrejas para um colecionar, em estilo Neoclássico. Depois pintei Impressionismo que se mede em Renoir, Lautrec, Van Gogh é o precursor, mas é um trabalho mais acabado. Aqui tem um quadro impressionista (aponta para a obra das rendeiras). Durante trinta anos eu pintei o folclore.

Observamos um encarte onde está a tela Rendeiras, e seu Ivo Silva nos diz que ela é de 1990/91. Mas, é em 1999 que surge um estilo próprio que é batizado pela crítica de Realismo Fantástico. Ele nos explica que antes havia o Surrealismo de Salvador Dali, e o Fantástico de Rodrigo de Haro. O Realismo Fantástico não é nem o real, e tampouco o abstrato.

Quanto custa uma tela do senhor?
As minhas telas variam, na galeria, de 390 a 7.200 (reais), mas daqui eu faço uma promoção. Tô vendendo aqui por 190 reais, um precinho promocional para quem passa aqui.

O senhor que é um artista, é possível sobreviver da arte?
Olha, toda profissão autônoma é luta. Uma luta constante. Não é fácil pra ninguém. Pra todo mundo que autônomo, empresário, micro-empresário, porque não tem um teto salarial fixo. O funcionário público, se faz sol, chuva, ou se fica doente, pega licença, e no final do mês ele tem aquela quantia x para receber (…) O autônomo no caso, nós artistas, nós temos que trabalhar, trabalhar, e trabalhar. É muito imprevisto. Eu vivo de arte com muito prazer, muita satisfação, to satisfeito, feliz, alegre, e contente como estou, como está, e como sempre esteve. Mas, nunca foi fácil. Ivo Silva ainda menciona que é gratificante trabalhar numa profissão belissima. “Já fui bancário, já tive uma firma de segurança, mas não traz esse encanto pra alma”.

O artista escolhe as manhãs para pintar. Relata que por vezes um amigo passa por ali e acaba levando um quadro seu por 150 pila (reais). Ele vende apenas pela satisfação e encanto que alguém tem com a tela. “A rua é uma forma de trazer a arte para o público (…) O calçadão é uma vitrine florianopolitana (…) é muito maior a probabilidade de se contatar com a arte”, completa o artista. Ele que tem 84 exposições em galerias, museus, do país e fora do país, em 42 anos de carreira, a intenção de vir para as ruas é a de não se isolar do mundo, vivendo essa interação com as pessoas.

Conheça as obras do artista:
Telefone: (48) 9614 7505 Blog E-mail Orkut

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A rua é feita de algodão doce

A receita é simples: açúcar e corante. Aí é só colocar na panela e mexer bem. Depois enrolar nos palitos e embalar. É o famoso algodão doce que está pronto!

Já faz cinco anos que Rute Terezinha produz e vende algodão doce no centro de Floripa, sempre com aquela típica buzina na mão para chamar mais ainda a atenção da criançada. Natural de Bom Retiro/SC saiu da cidade ainda pequena e morou em vários lugares até chegar em Florianópolis.

Para Rute a principal dificuldade do seu trabalho é a dor nas mãos e nos pés, por ficar muito tempo de pé carregando o suporte para os algodões. Os melhores dias para venda são os finais de semana.

Ela trabalha de segunda a sábado no centro de Floripa (Florianópolis) e aos domingos no parque de Coqueiros. Cada algodão doce custa dois reais e vem também com uma máscara.

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