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sábado, 31 de outubro de 2009

A rua acolhe os Guarani, antigos protetores da Ilha

Não há raças. O que existem são etnias, e essas etnias trazem consigo uma herança cultural, com saberes diversos que devem ser respeitados. O Guarani não compreende a ciência Juruá (do homem branco), mas sabe que o Juruá se apropria dos recursos naturais com voracidade. A ganância Juruá escraviza, condena, mutila, apaga, deserta, e fulmina. Há mais de 500 anos a cruz do Deus Juruá substituiu a cruz Guarani, mas esse povo nunca abandonou seus costumes, e suas Divinas Palavras. Expostos como animais, sobrevivendo a mingua das migalhas nas ruas das grandes capitais. Para esse povo não existem laços de parentesco por sanguinidade, mas por afinidade espiritual. O índio brasileiro não se aparenta com a Iracema, de Alencar; tampouco representa o poema indianista de Gonçalves Dias. O índio brasileiro não deve ser visto como algo exótico, um produto ou mercadoria. Por sorte encontramos por aí gente competente que defenda com coerência e dignidade os saberes Guarani, entre os quais: Aldo Litaiff, Maria Dorothea Post Darella, Maria Inês Ladeira, Rosana Bond, Silvio Coelho dos Santos, Teresa Fossari, e outros valentes.

Viemos falar, eu e Ariana Luz, de Pará. Seu nome Juruá é Rosa. Mas, apesar de considerar Rosa um nome belissimo, mesmo porque, pertenceu a Rosa Luxemburgo, e é uma das flores mais antigas de que se tem registro… Pará, é uma índia da Nação Guarani, da etnia Mbyá ou Embiá, da Aldeia Mbyá Biguaçu. Ela diz ter 69 anos de idade, e sete filhos. Há seis anos vende artesanato da aldeia nas ruas Florianópolis. Entre as peças podem ser encontrados: chocalhos, cestos, colares. Tudo é feito com materiais encontrados na natureza.

O nome Pará em Guarani pode ter mais de um significado, mas o mais utilizado é “mar, oceano”. O mar, por exemplo, representa para os Guarani a “Terra sem mal”, e apesar de todo o território do sul significar um território Guarani, o mar é especial porque representa a origem do povo Guarani.

Perguntamos a Pará, se ela é bem tratada pelas pessoas. E ela diz: “tratam bem, sim”. Ela fala ainda o Guarani, mas tem dificuldades com o português. Mesmo assim, nos diz que na aldeia se ensina o Guarani e a língua do Juruá. Essa dificuldade somada ao barulho imenso dos carros e das pessoas indo e vindo pela Rua Tenente Silveira, impede que possamos conversar mais com Pará.

Antes de nos despedirmos peço a Pará que escolha um colar feito de sementes silvestres. Acerto o preço do colar em forma de colaboração ao povo Guarani, e peço que ela coloque o colar em meu pescoço. Ao nos desperdirmos ela agradece com um sorriso tipico da pureza da alma Guarani.

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