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sábado, 31 de outubro de 2009

A rua acolhe os Guarani, antigos protetores da Ilha

Não há raças. O que existem são etnias, e essas etnias trazem consigo uma herança cultural, com saberes diversos que devem ser respeitados. O Guarani não compreende a ciência Juruá (do homem branco), mas sabe que o Juruá se apropria dos recursos naturais com voracidade. A ganância Juruá escraviza, condena, mutila, apaga, deserta, e fulmina. Há mais de 500 anos a cruz do Deus Juruá substituiu a cruz Guarani, mas esse povo nunca abandonou seus costumes, e suas Divinas Palavras. Expostos como animais, sobrevivendo a mingua das migalhas nas ruas das grandes capitais. Para esse povo não existem laços de parentesco por sanguinidade, mas por afinidade espiritual. O índio brasileiro não se aparenta com a Iracema, de Alencar; tampouco representa o poema indianista de Gonçalves Dias. O índio brasileiro não deve ser visto como algo exótico, um produto ou mercadoria. Por sorte encontramos por aí gente competente que defenda com coerência e dignidade os saberes Guarani, entre os quais: Aldo Litaiff, Maria Dorothea Post Darella, Maria Inês Ladeira, Rosana Bond, Silvio Coelho dos Santos, Teresa Fossari, e outros valentes.

Viemos falar, eu e Ariana Luz, de Pará. Seu nome Juruá é Rosa. Mas, apesar de considerar Rosa um nome belissimo, mesmo porque, pertenceu a Rosa Luxemburgo, e é uma das flores mais antigas de que se tem registro… Pará, é uma índia da Nação Guarani, da etnia Mbyá ou Embiá, da Aldeia Mbyá Biguaçu. Ela diz ter 69 anos de idade, e sete filhos. Há seis anos vende artesanato da aldeia nas ruas Florianópolis. Entre as peças podem ser encontrados: chocalhos, cestos, colares. Tudo é feito com materiais encontrados na natureza.

O nome Pará em Guarani pode ter mais de um significado, mas o mais utilizado é “mar, oceano”. O mar, por exemplo, representa para os Guarani a “Terra sem mal”, e apesar de todo o território do sul significar um território Guarani, o mar é especial porque representa a origem do povo Guarani.

Perguntamos a Pará, se ela é bem tratada pelas pessoas. E ela diz: “tratam bem, sim”. Ela fala ainda o Guarani, mas tem dificuldades com o português. Mesmo assim, nos diz que na aldeia se ensina o Guarani e a língua do Juruá. Essa dificuldade somada ao barulho imenso dos carros e das pessoas indo e vindo pela Rua Tenente Silveira, impede que possamos conversar mais com Pará.

Antes de nos despedirmos peço a Pará que escolha um colar feito de sementes silvestres. Acerto o preço do colar em forma de colaboração ao povo Guarani, e peço que ela coloque o colar em meu pescoço. Ao nos desperdirmos ela agradece com um sorriso tipico da pureza da alma Guarani.

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A rua é um lugar de oportunidade

Ficar preso fora de casa ou não poder sair com um automóvel por ter perdido ou quebrado uma chave não é fato inédito. Quando isso acontece, lá pelos lados de Coqueiros, bairro de Florianópolis, as pessoas chamam o “Lele”. Lele é o apelido de Joceli Olívio Virtuoso, um Chaveiro, de 33 anos de idade, casado e pai de uma filha. Foi no retorno de sua atividade nas ruas que o entrevistamos.

O que é ser chaveiro? É uma profissão de confiança em primeiro lugar. Não basta você apenas fazer chave e ter um bom trabalho. A questão mesmo é a segurança que você vai dar pro cliente. Eu acho que nasci para ser chaveiro.

O que significa trabalhar na rua? É o que mais me beneficia. O lucro maior está na rua.

Por que o cliente procura o Lele Chaveiro?
Sem falsa modéstia, meu bom atendimento.

Há quanto tempo está trabalhando? Dezoito anos de chaveiro. Aqui em Coqueiros são catorze anos.

Houve algum problema na rua. Susto, por exemplo? Graças a Deus posso dizer que não houve serviço que eu peguei e não consegui dar jeito. Sempre tive facilidade para fazer as coisas. Susto? Já ter aberto portas para pessoa que não era dona do serviço.

Como é que funciona quando quebra a chave de um carro ou se esquece a chave lá dentro? Chamou. Se eu não tiver ocupado na hora, já resolvo o problema.

Chave Mixa é mito ou existe mesmo? Funciona. Funciona. Mas, não é para todos os carros. É mais mito. Para os carros antigos funciona, mas é mais difícil para os novos. Ligar carro não liga. Isso é tudo mito.

Já foi assaltado na rua? Já. Eu tinha 14 anos. Levaram meu relógio. Não era nem meu, peguei da minha irmã pra fazer uma média lá no centro. Em serviço nunca fui assaltado.

Quantos atendimentos você faz por dia? Isso varia muito. Tipo hoje… são onze horas e fiz quatro atendimentos na rua. Tem dia que não faço nenhum, mas faço aqui (em referência ao Posto de Gasolina). Sempre tem alguma coisa pra fazer.

O preço de um serviço na rua?
Qualquer saída o mínimo é R$20,00.

Trabalha com mais alguma coisa?
Não. Meu negócio é só prestação de serviço. Automotivo, residencial.

Gostaria de falar mais algo mais?
Olha, eu te agradeço pela oportunidade aí.

Para contratar os serviços de Lele: (48) 3028 5697 – 9952 1898

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A rua é lugar dos migrantes

Santa Catarina está no ranking dos Estados da Federação que apresentam os maiores números de migrações do campo para cidade, o chamado Êxodo Rural. A migração muda o perfil cultural do Estado, e acarreta diversos problemas para economia regional quando não existe planejamento. A rua sempre aceita os viventes.

Giovani Ferreira, 28 anos de idade, é um pedreiro que encontramos na Praça XV. Solteiro, mas “ajuntado”, como ele mesmo prefere dizer. É natural de Pato Branco/PR, e seu sotaque não o engana, pois fica nítida a fala com os “erres” carregados, o chamado retroflexo – herança dos ingleses e suas ferrovias. Há uns meses ele caiu de um andaime porque estava sem a cinta de proteção, desde então, ficou seis meses perambulando pelas ruas sem ter uma ocupação, apenas um com atestado médico. “Tenho que voltar pro serviço depois de segunda”, ele relata.

O pedreiro diz que tem como sonho a esperança de ver as coisas melhorarem. Alega que no Paraná chegou a trabalhar numa Serraria, e que lá ganhava R$10,00 por dia, R$50,00 por semana. Aqui (Florianópolis) ele ganha R$50,00 por dia. “Aqui não se morre de fome. Serviço tem aí. Não trabalha quem não quer”.

Giovani menciona que vai para Praça XV ver as amizades. Ele gosta de ir a Praça. Mas, mora no bairro de Ingleses, em Florianópolis/SC, desde os 20 anos de idade.

Para contratar o Giovani você liga para (48) 9901 1372.

(*) Matéria realizada por Ariana Luz e William Wollinger Brenuvida.
(**) Crédito da foto: Ariana Luz.

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A rua é lugar de leitura

Ainda é possível encontrar pessoas que lêem jornais, revistas, livros num banco de praça. Na Praça XV, no coração de Florianópolis, encontramos o senhor Yamashita. A colônia japonesa em Santa Catarina não é numerosa, ao contrário de São Bernardo do Campo/SP, onde eu deixei amigos como: Bando, Akira, Ogura, Nishimoto, Matsumoto, Morinishi, Uemura, Oseki, Kazuo, Fukuyama, Nagamoto, Hayashi. “No Oriente as pessoas se reconhecem pelo sobrenome, porque a família vem em primeiro lugar; aqui no Ocidente as pessoas se chamam pelo prenome”, relata. Ainda acerca dos sobrenomes ele arremata: “Os sobrenomes chineses e coreanos são monossilábicos. Com algumas exceções existem japoneses com sobrenomes monossilábicos. Se encontrar é porque foram famílias foram para China, e quando voltaram apenas mudaram a pronúncia”.

Yamashita nos convida ao raciocínio constante. Sobre sua atividade de trabalho ele faz uma brincadeira: “Parece churrasco. Eu furo e queimo”. Apesar de procurar, não achamos a resposta. E ele diz: “Acupuntura”. Ariana menciona que pensou em tudo, menos nisso. E para não perder o foco ela emenda: “E como o senhor aprendeu?”. Yamashita responde: “Está na família há anos, mas a Acupuntura não foi originada no Japão. A Acupuntura é chinesa. Há 3.000 anos já estava estruturada.”.

Atualmente ele perdeu muitos clientes porque a Acupuntura se disseminou rapidamente. “Hoje em muitos bairros existem escolas de Acupuntura. A cada esquina você encontra 20 acupuntores (ele sorri com ironia)”. Minutos após nossa conversa ele estaria atendendo. “Venho para Praça ler, quando há tempo. Daqui a pouco vou atender uma senhora que já foi jornalista, e que é casada com um jornalista”, relata.

Yamashita tem 82 anos de idade, é viúvo, e mora em Santo Amaro da Imperatriz. Seus pais foram imigrantes dirigidos a Curitibanos/SC. Pergunto o porquê de Santa Catarina, e ele nos diz: “Muitos escolheram o Brasil. Havia campo para trabalho”.
Para contratar os serviços de Yamashita ligue para 8812 9900.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A rua é lugar de diversas culturas

É engraçado como nos acostumamos com as coisas e pessoas ao nosso redor, e por conta disso não percebemos a riqueza de culturas e personagens que inundam nosso cotidiano.

Tantas vezes ao passar pela Felipe Schmidt notei que algumas mulheres que trabalham naqueles estandes de artesanatos usavam roupas diferentes e tinham também sotaque diferente evidenciando outra cultura. Jamais pensei que pudesse ser uma cultura de tão longe.

Karina Kamueno é indiana e está em Florianópolis há um ano. Ainda tem dificuldades para entender nosso idioma, mas isso não a impede de vender produtos que ela e o marido produzem. Seus trabalhos vão desde lenços até colares. O preço varia dependendo do que for escolhido.

Simpática, Karina, também dá dicas de como usar os lenços de forma original. É possível encontra-lá na esquina da rua Felipe Schmidt com a Rua Deodoro todos os dias.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A rua tem mãos que recolhem coisas que descartamos

O serviço de limpeza e manutenção das ruas de Florianópolis é realizado por funcionários da Comcap – Companhia de Melhoramentos da Capital. O gari é o profissional que recolhe o resultado de um péssimo hábito: jogar lixo na rua.

Albertina das Graças da Conceição, natural de Urubici/SC, 43 anos de idade, 16 anos dedicados a Comcap, diz que gosta de estar nas ruas porque se sente mais livre e a vontade. “Eu não conseguiria trabalhar num escritório fechado. Preciso ver as pessoas, ouvir os passarinhos, ver movimento”. Questiono Albertina sobre o tratamento das pessoas e se o trabalho é pesado. “Alguns tratam a gente como você, que veio, deu bom dia, sorriu, não teve nojo de apertar a mão da gente; outros nem olham, parece até somos lixo. E aqui é assim, meu filho, tem uma coordenadora que fiscaliza a gente. Eu sou responsável por esta quadra toda, que vai lá do Mercado (Mercado Público) até aqui na Alfândega”, relata.

Osvaldina Paula Padilha, natural de Biguaçu/SC, 45 anos de idade, 25 anos na Comcap começou como gari e hoje é responsável pela limpeza dos banheiros do Largo da Alfândega. Ela comenta que tanto no trabalho da colega Albertina, como no dela, existem pessoas educadas e mal-educadas, e isso não se resume aos moradores de rua. Pergunto a ela se o trabalho é seguro, e se ela e a amiga já passaram por alguma situação constrangedora. “Olha, aqui na Alfândega, dá muita briga. Uma vez eles se pegaram de faca e fez uma poça de sangue ali – ela aponta o local – a gente nunca sabe o que passa na cabeça das pessoas, mas mesmo assim aqui ainda é bom”.

Lixo já foi definido como tudo aquilo que para nada serve e é descartado. Hoje esse conceito mudou, mas a antiga definição ficou tão enraizada em nossa cultura de descarte que muitas pessoas ainda têm a péssima mania de jogar lixo no chão. O acúmulo de qualquer material pode provocar: riscos à saúde humana, prejuízo da paisagem urbana, e enchentes.

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domingo, 25 de outubro de 2009

A rua não é lugar para super-homem

Modelos internacionais, políticos, empresários ou apenas anônimos são as figuras que passam pelo táxi de Maximiliano Santos. Uma bagagem de quase 10 anos de experiência.

Roda pela capital do Estado, a bela Florianópolis, à procura de passageiros. Onde não há táxi, tem gente esperando. Lá está Maxiliamo, com seu bom humor, e boa vontade. “Uma vez fiz uma viagem para uma mulher e ela foi falando do início ao fim. Não abri a boca em momento algum. No final da viagem ela até me elogiou, disse que homem bom é assim, não contraria mulher”, conta ele.

Só que nem tudo são elogios na vida de Maximiliano. Conta que foi assaltado, em uma noite, quando buscava um cliente na saída de uma boate. “Colocaram um revólver na minha cabeça. Levaram celular, carteira, tudo que eu tinha de valor. Deixei eles pegarem tudo. Não sou super-homem para reagir”, relata o taxista.

Bastou cinco minutos de conversa para tocasse seu celular. É mais uma cliente chamando para uma corrida, e lá vai o Maximiliano, um taxista concorrido.

Boa viagem Maximiliano!

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sábado, 24 de outubro de 2009

A rua renasce do lixo, se recicla

Sol forte, céu aberto, clima de quase verão. O clima tem mudado no planeta, assim dizem os especialistas. Estaciono o carro em frente a uma marcenaria fechada (aos sábados alguns descansam), e do outro lado da Rua Santa Catarina, a altura do número 93, estava a Rádio Vale de Tijucas. Minha entrevista, no programa Crônica Popular, de Celso Leal, e que daria enfoque ao jornal “Littera – um despertar literário”, e ao “Mosaicos de Rua”, era prevista para as 11 horas; assim, ainda havia tempo. Deixei as 6 mudas de ipês (amarelos e roxos), que adquiri ali perto, no carro. Desandei a conversar com uma senhora e um menino que pararam uma carroça puxada por um pangaré, e repleta de material reciclado. No mais, a entrevista é sempre uma conversa.

Ilma Araci da Silva, 55 anos de idade, e Juliano Machado, 13 anos de idade, são catadores de material reciclável há pelo menos 4 anos. Moram no município de Tijucas/SC, no centro da cidade, possuem uma vida modesta e de trabalho pesado. De acordo com Ilma, são coletados 15 carrinhos cheios de papelão, plástico, alumínio, e outros materiais por semana. “Nós entregamos tudo aqui em Tijucas mesmo. Não precisa ir para outro lado. Isso facilita o serviço”, afirma Ilma. Questiono a catadora sobre o tratamento das pessoas, e ela diz que: “eles param e chamam a gente. Tem vezes que dão até gorjeta”.

Juliano é um menino que sonha em ser jogador de futebol. Pergunto se ele é Figueira ou Avaí, e ele diz ser Fluminense. Brincamos com o fato do “Flu” estar na zona de rebaixamento, mas ele diz que assim mesmo é torcedor do time de coração. Juliano estuda no período da manhã, é aluno da sexta-série, e ajuda a recolher o material reciclável a tarde. Sobre a rua, e ele diz: “É liberdade. Sinto-me feliz. Converso com as pessoas. Posso trabalhar”.
O trabalho dos dois ajuda no sustento da família e ajuda a natureza. “a gente ajuda a natureza, com a reciclagem do lixo, e consegue ajudar a sustentar a família”, afirma Ilma, olhando o carrinho cheio.

Presenteio os dois com exemplares de “Littera – um despertar literário”, na esperança que o menino possa um dia se tornar um escritor ou jornalista. Eles, de bom coração e sorriso no rosto, aceitam e seguindo o caminho, a ruga, o sulco, a rua que renasce do lixo, se recicla.

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A rua é feito de grãos de milho pipocando

Um giro pelas ruas de Florianópolis, num sábado pela manhã, e os vemos. Lá estão eles com seus carrinhos coloridos, avental e bom humor. O vendedor de pipocas também faz a alegria de uma porção de gente. Pode ser a pipoca doce ou salgada, há sempre quem dela se alimente, mate a fome, sirva ao filho ou a pessoa amada.

A Felipe Schmidt é uma das ruas mais movimentadas da capital catarinense, e é numa de suas esquinas que paramos para conversar com ex-tratorista Pedro Manuel Oliveira, 64 anos de idade, 35 dedicados ao ofício de pipoqueiro. Natural de São Joaquim/SC, Pedro escolheu a profissão por ter sofrido um acidente que o impossibilitou de conduzir um trator.

Pedro reclama da procura, mas se diz prazeroso com a profissão: “Não dá bem, mas dá pra levar”, afirma num tom descontraído. Por R$2,00 é possível comprar um saquinho de pipocas, mas Pedro nunca está num ponto fixo. E enquanto as pipocas saltam em sua panela seguimos nossa caminhada pelas ruas movimentadas. Amanhã ou logo depois, Pedro estará em outro lugar.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A rua é o palco

Um banco na praça, ao lado de uma cidade movimentada. A praça reinventa a calma. Por um instante tudo para. A praça é o lugar dos poetas, dos amantes, dos artistas, da boca do lixo, do palhaço, e dos desocupados. A praça é um lugar aumentado da rua. A rua é o começo de tudo, a fonte da vida… Desço a Praça XV, com bustos de homens renomados. Lá está Jerônimo Coelho, e também Cruz Souza; lá está à velha Figueira, a história de antes, e os dizeres arrastados. Faço sinal para o palhaço Hortaliça, um rapaz de um pouco mais de vinte anos, e que há três viaja por Mato Grosso do Sul, São Paulo, e os Estados do Sul expondo sua arte. Hortaliça é a personagem de Rafael Rosa, um paranaense de Cornélio Procópio, divisa com o Estado de São Paulo.

Nas suas andanças o que tem visto por aí? Entrei em contato em São Paulo com os Doutores da Alegria, palhaços que fazem um bonito trabalho de alegrar pacientes, principalmente com câncer. Eu estou no meio da arte, e assim, entro em contato com vários artistas.

Para que um palhaço venha às ruas, o que tem havido com o circo? A rua é o palco, a liberdade. Mas, sinto que a cultura do circo decaiu muito. Toda arte num geral está desaparecendo em meio a correria das pessoas.

Qual é a mensagem que você deixa? Que todos sejamos palhaços, que qualquer um gaste cinco minutos de seu tempo para contemplar a arte, a cultura. E está para vir aí a banda Rafael Rosa e os Cabocrônicos. Eu abro o caminho, os demais componentes chegam depois.

Para entrar em contato com o Palhaço Hortaliça, envie um e-mail para:
rafaelplonkoski@yahoo.com.br

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A rua intimida, mas também encoraja

O sonho de alguns é se tornarem médicos, advogados, jogadores de futebol, ou artistas de televisão. Flavio Rigoli, 25 anos de idade, sempre quis ser policial. Alcançou seu objetivo quando deixou a terra natal, Viamão, no Rio Grande do Sul e veio para Santa Catarina prestar concurso para polícia militar. Há três anos na capital, o soldado Rigoli presenciou perigos, mas também pode fazer o que lhe dá maior alegria: ajudar o próximo. Conversamos com o soldado Flávio, quando este acabara de resolver uma ocorrência na Praça XV, no centro de Florianópolis.

Poderia contar uma situação de risco enfrentada?

Houve um caso na ponte (Colombo Salles) que os suspeitos atiraram contra a guarnição. Eu estava de serviço naquela noite, mas, não naquela guarnição. Foi um momento de tensão. Os três suspeitos morreram.

Ser policial. O que essa profissão tem de positivo?

Eu fui escoteiro, sempre gostei de ajudar o próximo, e na polícia podemos ajudar. Já socorri pessoas na rua e as encaminhei ao Samu – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Também faço a escolta do governador do Estado, é uma função de muita responsabilidade.

Pretende seguir carreira na polícia?

Quero ser um oficial de carreira, e pra isso já estou estudando. Meu objetivo é fazer o curso de Direito e ajudar a instituição policial no que for preciso.

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A rua também pára

Para o leitor desavisado, o “Mosaicos de Rua” pode parecer um simples blogue (blog) de entrevistas, mas se torna testemunha ocular da história, um meio que presencia e fala dos fatos presentes, e que servirão às presentes e futuras gerações. Fui verificar um apitaço dos funcionários da Zona Azul. Desci a rua Padre Miguelinho, próxima ao TAC – Teatro Álvaro de Carvalho, e da Araújo Figueredo, parando na Anita Garibaldi. A frente da Câmara de Vereadores de Florianópolis estava tomada de um exército azul e branco (e não eram torcedores do Avaí), tudo monitorado pela Guarda Civil Metropolitana. Conversei com um funcionário, mas que não permitiu ser fotografado.

Marcelo de Souza, 44 anos de idade, 4 anos e 3 meses de Zona Azul, soma-se a luta de outros companheiros contra a privatização da entidade gerenciada pela Aflov – Associação Florianopolitana de Voluntários. Segundo Marcelo, a privatização pode tirar o emprego de pelo menos 300 pessoas. “Nós não somos valorizados pela Aflov, e ainda temos que aguentar a má recepção das pessoas na rua”. Questionado sobre o salário, ele afirma: “O que ganho não é suficiente. Com a privatização pode ficar pior”. Marcelo comentou que eles percorrem grandes distâncias atendendo uma média de 60 carros/dia. Outro aspecto das reclamações dos funcionários é com relação aos assaltos.

O projeto de lei encaminhado a Câmara de Vereadores é de autoria do Executivo, e responde solicitação do Ministério Público. Para Prefeitura, a Zona Azul não tem dado lucro. A greve é por tempo indeterminado.

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A rua é apenas uma fase

Um olho no cliente, outro na polícia, e um terceiro no concorrente. A brincadeira improvisada pelo Flanelinha Murilo Bernardino Pereira, 21 anos de idade, morador de Florianópolis, é entendida quando cruzamos a Rua Marechal Guilherme em direção a Praça Pereira Oliveira. Há um ano e seis meses na ilha, vindo do continente, onde deixou o pai, a mãe, e uma filha de um ano de idade, ele divide aluguel com mais dois guardadores de carros. Murilo, não põe a culpa em Deus, no governo, e na vida, mas entende que o mercado é desumano.

Alguém escolhe ser flanelinha? É um jeito de ganhar dinheiro honestamente. Vim pra cá por necessidade. Não consegui arranjar outra coisa pra fazer, e tenho que sustentar uma filha de um ano.

Como é que as pessoas te tratam? Têm muita gente grossa, mais as madames. Todo mundo acha que você tá aqui pra roubar, mas a gente cuida dos carros. Os viciados e os playboys passam riscando os carros, quebrando antenas, e chutando. Isso a gente não deixa fazer. Mas, tem gente boa também.

A Zona Azul, a polícia, a guarda civil metropolitana incomoda?

Com a Zona Azul o lance é tranqüilo, às vezes a gente compra e vende os cartões deles. A polícia não gosta que a gente fica aqui, eles pedem pra sair, mas não fazem nada com a gente. A Guarda Civil é mais embaçada.

O que é a rua pra você?

Aqui é só uma fase. Quero tirar um emprego com carteira assinada e fazer meu segundo grau. Mas, o lance é que ninguém te oferece emprego, as pessoas marcam a nossa cara. Sou separado, mas tenho filha pra criar. E aqui, é assim: fica esperto porque tem outro de olho na tua vaga.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A rua é um lugar de responsabilidade

Com a bola dominada, o catarina segue rumo a meta adversária. Titular do juvenil do Vasco da Gama, time que figurou entre os primeiros do futebol do Rio de Janeiro, Gilberto Lopes da Silva ou Betinho, como é conhecido na região de Florianópolis, poderia ter tido um destino diferente do pai, mas a vida o quis motorista. Uma dividida com um volante do Madureira Esporte Clube fez sua estrela no futebol apagar. Betinho é atualmente motorista da Presidência do Partido dos Trabalhadores, e nos contou sua vivência nas ruas.

Você jogou no Vasco da Gama, como chegou lá?

Aos 12 anos fui revelado pelas divisões de base do Avaí, e com 15 fui pro Figueirense. Um olheiro do Vasco da Gama me levou pro Rio, e joguei com Mazinho e Romário. Uma dividida com um volante do Madureira arrebentou meu joelho. Eles me chamavam de “Catarina”, nunca pelo nome.

Como se tornou motorista?

Meu pai era motorista de caminhão, e eu o ajudava a carregar peixe. Por ironia fiquei com o ofício do velho. Sabia dirigir tudo, e depois que me recuperei do joelho fui dirigir. Pro futebol não prestei mais porque você fica rotulado como “jogador bichado ou fraturado”. A rua me aceitou.

Você dirigiu pra alguém importante?

Transportei artistas e políticos. Fui motorista da Xuxa, Jota Quest, Ira, Paulo Ricardo (RPM), Lulu Santos, Gilberto Gil, Pepeu Gomes e Baby Consuelo, Charlie Brown Jr, Iriê, Dazaranha, Guaipeca, Jimmy Cliff, Rodie Stuart. Dirigi pro Zé Dirceu, Luiz Henrique da Silveira, Edson Andrino, Luci Choinacki, Ideli Salvatti, e pra muitos vereadores, assessores.

Como foi parar no PT?

O CD (Cedenir Simon) tinha um trabalho no meu bairro (Caieira do Saco dos Limões) e eu era presidente da associação comunitária. É um cara limpo, boa pinta, estuda muito e trabalha firme. O CD me chamou para trabalhar com ele, e vim para cá após as eleições municipais.

E como é ser motorista da Presidência?

É grande a responsabilidade, e dirijo com cuidado. Dirigir não é brincadeira de criança, e tem muito louco por aí nas ruas.

Qual foi o maior susto que passou na direção?

Eu dirigia uma van de turismo com minha família. Havia ido buscar o carro do conserto, mas descobri (dirigindo) que não fizeram o serviço. Freei o carro num semáforo, os freios não responderam, uma escada entrou vidro adentro e ficamos muito machucados. Graças a Deus ninguém morreu.

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A rua é liberdade

O poeta, baiano de Juazeiro, Sérvio Túlio, assim escreveu sobre o Sapato:

O sapato
Quando dá passos,
Sapateia poema...
Sapateia e compõe músicas,
Dia e noite, à luz da lua
E músicas que nem precisam de rimas.
Sapateia, e no seu sapatear
É jardim florido
E o jardim é o sentido.
O sapato
Quando sapateia poemas... e músicas...
Semeia!

Meus sapatos gastos, foram entregues aos trabalhos do não assalariado, mas autônomo, Pedro. Pedro João Filomeno, 39 anos de idade, é um manezinho da Ilha, morador da Costeira do Pirajubaé, e engraxate a mais de 20 anos. Desde os 12 anos de idade percorre o centro de Florianópolis, tendo aprendido o ofício com os irmãos. “Sou o caçula, e aprendi a engraxar com meus irmãos. Trabalhei em outros empregos, até com carteira assinada, mas gosto disso aqui”, afirma Pedro. O sapato trouxe trabalho digno, e ele labuta muito. “Tem dia que pego às 6 da manhã e largo às 10 da noite. Fico na Praça XV, e no Mercado Público. E já engraxei o sapato do Amim, e do Dário. São tranqüilos, conversam bem.”, diz o engraxate.

Pedro se mostra temeroso com o futuro, mas alega estar buscando Deus. “Tá cada vez pior. Esse monte de carro, poluição, desmatamento, violência. Só esperamos em Deus. Antes eu era um homem de beber, andar em casa de massagem, até drogas eu experimentei. Hoje sou um homem novo. Jesus me livrou de tudo isso.”. O engraxate fala que alguns clientes se queixaram de assalto na Praça XV, mas que ele só foi assaltado quando criança, por meninos que cheiravam cola. Mesmo assim, Pedro gosta de Floripa, e garante: “Daqui eu não saio.”.

Antes de meus sapatos ficarem lustrados, somos abordados pelo vendedor de revistas, também autônomo, Cleiton Locatelli, o Ton. Natural de Concórdia/SC, ele está há 5 meses na cidade, e está otimista com as vendas. Para Pedro e Ton, a rua se resume em liberdade; onde não há patrão e horário, onde a vida passa sem pressa, a música se escuta, e o pão de cada dia se semeia.

Você encontra o Pedro Engraxate no Centro de Floripa, ou no fone (48) 9123 3290. Preço do serviço: R$ 5,00.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A rua é arte

Para inaugurar as postagens no blog, começo falando sobre Antônio Reinaldo Borges, ou apenas Borges, como prefere ser chamado. As pinturas e retratos feitos por ele ilustram a rua Felipe Schmidt, em Florianópolis. O urubiciense reside há 27 anos na cidade e faz o trabalho artístico na rua há 20 anos.


Autodidata, aprendeu a arte de pintar e desenhar com muitas pesquisas e leitura de livros. Formado técnico em Contabilidade, desistiu de trabalhar em escritórios - como se imaginava trabalhando - e optou pela rua como maneira de mostrar sua arte - que já gostava desde sua infância.

No meio da conversa ele me fala: "A pergunta que mais me fazem é: 'dá para viver disso?". Ele afirma que vive com a arte até hoje graças aos retratos de grafite, já que é difícil encontrar alguem que os faça com perfeição. Para Borges, as maiores dificuldades de se trabalhar na rua é o clima, pois não dá para expor suas obras e, nos dias chuvosos, nem tem como sair de casa.

Seu sonho é ir para a Europa, conhecer as oubras de grandes mestres e voltar mais inspirado para suas criações.

Para entrar em contato com o Borges, você pode mandar um email clicando aqui ou telefonar para (48) 3243.3808/9972.3518

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domingo, 18 de outubro de 2009

A rua se apresenta…

De acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda, a palavra “rua” surge do latim “ruga”, mais tarde “sulco”, “caminho”. É tudo que não seja casa de residência e local de trabalho.

Mas, a rua tornou-se o ponto de trabalho de muitas pessoas. Extrapolando seu próprio conceito, a rua ganhou contornos das personagens que a compõem: o artista, o trabalhador, o morador de rua, o viandante. O mosaico formado por essas personagens, numa atitude plural, despertou o olhar fecundo de nossa equipe que saiu às ruas em busca desse universo incrível.

Um blogue (blog) não necessariamente é um veículo de comunicação com viés jornalístico, mas ele pode servir como instrumento ao jornalista para propagar textos noticiosos e de opinião.

Que você, caro leitor, encontre aqui um espaço livre que reúna informação e conhecimento.Que interaja conosco, e com essas personagens diversas.

Sejam bem-vindos!

Equipe Mosaicos de Rua

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